quinta-feira, 5 de março de 2009

O GOL DA VIDA


Por Indira Naiara

Ser jogador de futebol é sonho de muitos meninos brasileiros. Mas será que o mercado da bola é capaz de absorver tantos funcionários? De acordo com o administrador das categorias de base do Esporte Clube Bahia, Luvio Trevisan, está cada dia mais difícil um garoto se profissionalizar, pois a concorrência é muito grande e por isso a maioria deles vai ficar pelo meio do caminho.
Segundo Trevisan, no Bahia, aparecem por dia cerca de dez garotos em busca de uma oportunidade. A maioria deseja ser atacante, posição que garante mais destaque ao atleta já que são eles os responsáveis por balançar as redes.
São cinco as categorias de base: fraldinha ou mirim composta por garotos com idade entre 11 e 13 anos, infantil de 14 e 15 anos, juvenil de 16 e 17 anos e os juniores A e B com garotos de 18 a 20 anos. A partir desta última categoria os que se destacam partem para a equipe profissional. Todos eles treinam de segunda a sábado e os horários são definidos pela comissão técnica. O tempo de treinamento varia de acordo com a categoria que o garoto pertence, com um tempo máximo de duas horas diárias.
A vontade de ser jogador de futebol é tão grande que muitos deles deixam de viver junto às suas famílias. É o caso de Marcos Vinícius, que saiu de Valença para Salvador e há cinco anos está no Bahia. Ele atua como zagueiro na equipe Junior. Marcos disse que ainda estuda e cursa o 3º ano do ensino médio, mas ele fala que seu grande desejo é se profissionalizar e jogar em algum time europeu.
Esses garotos vêem o futebol como a única chance de realização profissional, tanto que alguns chegam a abandonar a escola para se dedicar exclusivamente ao esporte. Everton Jorge é um deles. Everton tem 18 anos e atua como meia na equipe tricolor. Ele cursou até o segundo ano do ensino médio e disse ter deixado os estudos para poder ter mais tempo para o futebol, pois pertence à última categoria antes da profissionalização.
No Vitória, segundo o coordenador das divisões de base João Paulo Sampaio, são realizados testes para seleção três vezes por semana e durante este período cerca de 60 atletas são avaliados. De acordo com Sampaio a volta do clube à primeira divisão fez com que aumentasse o número de garotos em busca de uma vaga no time.
A rotina de treinamento também varia de acordo com a categoria que o menino pertence. Atletas de 10 a 14 anos treinam três vezes por semana e os de 15 a 18 treinam todos os dias.
Conforme Sampaio, existem 60 atletas das categorias de base que vieram de outras cidades e estados e quem se responsabiliza pela educação deles é o Vitória. Por isso, o clube tem convênios com escolas e curso de inglês e disponibiliza um ônibus e duas vans que fazem o transporte destes meninos.
O Esporte Clube Vitória, possui duas assistentes sociais, que de acordo com o João Paulo Sampaio, são responsáveis por acompanhar o desempenho dos garotos no colégio. Elas se responsabilizam por verificar notas e freqüências e pelas aulas de reforço. Segundo o coordenador, o clube cobra muito a freqüência dos atletas na escola e nos casos de muitas faltas injustificadas, os garotos sofrem punições como, por exemplo, não viajar para participar de competições. De acordo com Sampaio,o clube incentiva os garotos a darem continuidade a seus estudos, mesmos após terem concluído o ensino médio. Na equipe júnior existem cinco atletas que cursam o nível superior. Destes, dois fazem Educação Física e os outros Direito, Fisioterapia e Administração, afirma Sampaio.
Matéria: trabalho apresentado à disciplina de Oficina de Jornalismo Impresso 5º semestre

“QUEM NÃO AMOU A ELEGÂNCIA SUTIL DE BOBÔ”

No dia 28 de novembro de 1962, nascia em Senhor do Bonfim o quarto filho de Seu Florisvaldo e de D. Tieta, Raimundo Nonato Tavares da Silva. Não ficou conhecido pelo seu nome de batismo, mas sim pelo apelido que ganhou da sua irmã Rita, que não sabia pronunciar o seu nome.
Bobô, um dos maiores ídolos do futebol baiano, começou a praticar o esporte muito cedo em times amadores, tanto que precisava da autorização dos pais para poder jogar. Iniciou no futebol profissional em um time de sua cidade chamado Bahia Jovem e jogou durante um ano na seleção de Senhor do Bonfim.
Com 17 anos fez um teste para a Catuense e foi aprovado. Jogou durante quatro anos no clube e foi eleito melhor meia-direita do estado por duas vezes.
Seu destaque no interior chegou até a capital e em 1986 veio para o Bahia, time do seu coração. No tricolor o craque dono da camisa oito viveu os melhores momentos de sua carreira. Foi tri-campeão baiano e conquistou o título mais importante do estado, o campeonato brasileiro de 1988.
Diante do Internacional de Porto Alegre, Bobô fez dois gols na Fonte Nova e com o empate sem gols no Beira Rio o tricolor baiano sagrou-se campeão e o meia foi eleito o melhor jogador do Brasil.
Ainda no Bahia, Bobô foi convocado para a seleção brasileira. Mesmo com uma passagem rápida e prejudicada por uma contusão, o atleta considerou a convocação muito importante, pois havia muito tempo que um jogador de um clube nordestino não era convocado.
Bobô se considerava um meia artilheiro e realmente era. Durante a sua carreira marcou 258 gols e entre eles têm alguns muito especiais. Além dos que foram marcados na final de 88, em 86 no jogo Bahia e Operário ele marcou um verdadeiro gol de placa e foi o homenageado pela ABCD. Foi o único atleta a receber uma homenagem por um gol bonito na Fonte Nova.
Bobô saiu do Bahia para o São Paulo em 1989 e foi a maior transação do futebol feita na época. Neste mesmo ano foi campeão paulista e vice brasileiro. Do São Paulo foi para o Flamengo onde jogou por apenas seis meses, mas suficientes para deixar a sua marca de conquistador de títulos. Foi campeão da Copa do Brasil e o artilheiro do time com 17 gols.
Em 1991 foi para o Fluminense do Rio de Janeiro, time que o seu pai torcia. No Flu, Bobô foi vice-campeão da Copa do Brasil, terceiro do brasileirão e campeão da Taça Guanabara.
Em 1993 Bobô volta ao futebol paulista jogando pelo Corinthians. Uma passagem muito curta onde conquistou o vice paulista. No segundo semestre do mesmo ano Bobô foi para o Inter –RS time que derrotou no campeonato brasileiro de 88.
Em 1995 de volta à Boa Terra, Bobô disputou o campeonato baiano pela Catuense e no segundo semestre voltou para o tricolor baiano onde encerrou a carreira em 1997.
Bobô saiu de campo mas nunca abandonou o futebol. Começou a trabalhar como apresentador na rede Bandeirantes, e vindo do craque não podia se esperar outra coisa a não ser o destaque. Foi muito elogiado e convidado pela empresa para ser comentarista na Copa da França.
Depois do trabalho como apresentador Bobô voltou ao Bahia como superintendente das divisões de base, setor do clube que andava meio esquecido. Seu trabalho no Fazendão foi muito importante, pois o Bahia voltou a conquistar títulos com os times de base e a revelar jogadores.
Como técnico passou por duas fases uma boa e outra ruim, mas mesmo assim não deixou de conquistar títulos. Foi campeão do Nordeste em 2002, último título do tricolor. O craque disse ter gostado muito de trabalhar como técnico e que ficaria muito feliz se voltasse a exercer o cargo.
Atualmente Bobô está de volta a TV apresentando o programa Esporte Total Bahia na Bandeirantes. Bobô diz se considerar muito mais um comentarista do que um apresentador e que gosta do trabalho por poder falar de algo que ele entende.
Dono de um toque de bola refinado capaz de inspirar até o mestre Caetano Veloso, Bobô diz se sentir realizado no futebol. Por onde passou conquistou títulos e admiradores e ainda hoje é lembrado por muitas pessoas e tido como ídolo até por quem nunca o viu jogar.

Perfil: trabalho apresentado as disciplinas de Língua Portuguesa e Oficina de Texto no 1º semestre