Em 1950 começou a ser publicado nas edições de domingo do Diário de Notícias, o Suplemento de Cultura. Trata-se de um espaço dedicado a temas como arquitetura, artes plásticas, literatura, poesia, cinema, filosofia, etc. Eram publicados artigos de intelectuais como Otto Maria Carpeaux, Eugênio Gomes, José Olympio, Olívio Montenegro, José Valladares, Gilberto Freyre, entre outros.
Na década de 50 existia uma coluna intitulada No Mundo da Prosa de da Poesia, escrita por Waldemar Cavalcanti. Esta coluna trazia sugestões para leitura e crítica sobre livros e autores.
Na coluna Um Conto por Semana eram publicados contos de diferentes autores como Guy Maupassant, Erskine Caldwell, Monteiro Lobato, Franz Kafka, Charles Baudelaire, etc.
Os textos do suplemento de cultura eram artigos, críticas de cinema, arte, literatura, música, entre outros. Também eram publicados poemas de Carlos Drummond de Andrade, Vinicius de Morais, Cecília Meirelles e João Cabral de Melo Neto.
O jornal Diário de Notícias pertencia ao conglomerado de empresas de comunicação Diários Associados, que era controlado pelo jornalista e empresário Assis Chateaubriand. Por se tratar de uma ramificação de uma cadeia nacional de jornais, o Diário de Notícias possuía um projeto gráfico melhor desenvolvido e articulistas de importância nacional que escreviam para os outros jornais do grupo.
Na década de 60, período áureo do suplemento de cultura, aumenta o número de páginas do caderno e ele passa a se chamar SDN Artes e Letras e suas primeira e última páginas passaram a ser impressas em duas cores. Primeiramente em amarelo e preto e depois, o verde substituiu o amarelo. Além da mudança de cores, sua vinheta passou a ser apresentada de diversas formas e começou a utilizar fotos para ilustrar as matérias. Esse estilo estava relacionado ao apoio do jornal as vanguardas estéticas. Suas matérias abordavam muitos temas pertinentes as Bienais de São Paulo, a Nouvelle Vague e ao Cinema Novo.
No Suplemento de Cultura do Diário de Notícias não havia espaço para a arte comercial, o entretenimento e o cinema de Hollywood. A televisão era duramente criticada neste caderno.
No ano de 1960 outros autores começam a participar da edição do jornal a exemplo de Glauber Rocha, Walter da Silveira, Florisvaldo Mattos, Clarival do Prado Valladares, Hamilton Correia, Assis Brasil, entre outros.
Os suplementos desta década traziam duas novas colunas: No Mundo do Rádio que falava sobre os compositores e o rádio baianos, era dirigida por Narciso Nery e Parada de Sucessos onde Jorge Machado Gomes informava sobre os discos mais vendidos da semana e as suas principais músicas.
O suplemento de cultura publicado no dia 17 de janeiro de 1960 apontou os melhores filmes do ano de 1959. Esta seleção foi feita por Walter da Silveira, Glauber Rocha, Florisvaldo Mattos, Paulo Gil Soares e Hamilton Correia. Alguns filmes apontados foram: Um Rosto na Noite dirigido por Luchino Visconti; Por Ternura Também se Mata por René Clair e O Pequeno Rincão de Deus por Anthonny Mann. Todos esses diretores também entraram na lista dos que se destacaram neste ano.
Glauber Rocha considerou o ano de 1959 ruim para o cinema e apontou alguns acontecimentos como justificativa: o surgimento da “nouvelle vague”; a morte de Gerard Phillippe; Kubrick dirige o grande espetáculo “Spartaco” rendendo-se a Hollywood; John Huston comparece muito fraco e comercializado em cinemascope; teatro filmado domina o cinema com a sub-literatura campeando e a morte do cinema italiano.
Algumas edições do Suplemento de Cultura eram dedicadas a temas específicos a exemplo do suplemento de 17 de janeiro de 1960 que dedicou a sua primeira página ao ensaísta, jornalista, teatrólogo e crítico argentino Albert Camus. Barreto Borges, Robert Luppé e Luis Carlos Maciel escreveram artigos comentando a participação de Camus na poesia, no teatro, pensamento e arte.
O suplemento de 2 de outubro de 1960 aproveitando a independência da Nigéria trouxe textos sobre o tema e a influência africana na Bahia. Fizeram parte deste caderno textos de Odorico Tavares (Escultura dos Candomblés), Pierre Vergé (Presença do Brasil na Nigéria) e Vivaldo Costa Lima escreveu sobre o ensino do Iorubá na Universidade da Bahia.
O período de declínio do Suplemento de Cultura começou em 1964 com o Golpe Militar e após a instauração do AI-5. As antigas matérias sobre cinema brasileiro e europeu perderam lugar. Com isso, temas antes não valorizados como o cinema e astros hollywoodianos, moda e culinária ganharam um espaço muito maior no caderno. Walter Zanini, Fausto Cunha, Lídia Besouchet, Corrêa Sá, Alfredo Lage e Nelly Novaes Coelho eram alguns dos jornalistas que faziam parte do suplemento neste período.
A ditadura militar interrompeu o ciclo de maior efervescência cultural da Bahia e artistas da época que ganharam visibilidade nacional com os seus movimentos culturais acabaram migrando para o sul do país entre eles João Gilberto e a sua percepção da Bossa Nova, Glauber Rocha com o Cinema Novo e por último Caetano Veloso e Gilberto Gil com o Tropicalismo. A imprensa baiana não viu mais um caderno cultural com a mesma qualidade do Suplemento de Cultura do Diário de Notícias.
Referencia Bibliográfica:
Suplementos de Cultura do Diário de Notícias, Salvador anos 1950, 59, 60 e 70.
MARIANO, Walter. Panorama das Artes Plásticas na Imprensa Baiana entre 1950 e 1970. (Monografia apresentada à disciplina Artes Visuais na Bahia do mestrado em Artes Visuais – Linha Teórica da Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia), Salvador, 2003.
trabalho apresentado à disciplina de História do Jornalismo 4º semestre professor Luiz Guilherme